Refutação de Pecados Mortais e Veniais
Autor Rasyon Heneyah
Este artigo visa argumentar que a doutrina de pecados mortais e veniais católicas são contraditórias às Sagradas Escrituras. Consequentemente, invalidando o purgatório também. O versículo principal abordado será 1 João 5:16-17, desenvolvimento de doutrina, e como tanto o protestantismo, quanto o catolicismo enxergam o tema. Desejo uma boa leitura à todos.

O que o Catolicismo diz sobre os pecados
Pecados Veniais
Venial significa Perdoável em seu sentido original, então tecnicamente existe pecados veniais sim, que são perdoáveis, mas não da forma apresentada pelo catolicismo.
Para cometer pecados veniais você precisa ou desobedecer a lei moral que Deus deu à humanidade (matéria leve) ou quando você faz algo que seria pecado mortal se tivesse plena noção ou consentimento.
Definição: Pecados que não possuem tanta gravidade como os mortais, ele não é capaz de remover o amor que há no coração do homem, embora fere a ligação entre Deus e o homem, esta pode ser reparada humanamente através da graça divina.
Você pode cometer pecados veniais infinitos, mas a soma deles não pode ser um pecado mortal. Mas a prática constante de pecados veniais sem arrependimento enfraquece a caridade do homem gradualmente, conduzindo-o à vícios que podem consequentemente induzir a pessoa a cometer pecados mortais.
Porém, os pecados veniais não podem separar a ligação que há entre Deus e os homens por se tratarem de pecados mais leves, ou seja, as pessoas não podem ser condenadas ao inferno por um pecado de menor gravidade, nem podem ir para o paraíso por não estarem em uma condição de santidade, portanto, exigindo a necessidade de algo como o purgatório para purificar as almas desses ‘pecadinhos’.
Exemplos de pecados veniais (foi o que deu para achar embora não tenha uma lista oficial):
- Mentiras leves sem intenção de dano grave
- Pequenos acessos de ira sem desejo consciente de ferir
- Falta leve de caridade (impaciência, grosseria leve)
- Negligência leve na oração
- Distrações voluntárias na oração
- Apego desordenado a bens materiais sem gravidade
- Faltas leves contra a temperança (excesso moderado)
-# O fato de não ter uma lista oficial de exemplos desfavorece o próprio catolicismo porque começamos a entrar numa subjetividade.
Pecados Mortais
O pecado mortal separa completamente a conexão que há entre o homem e Deus, colocando-o em condição de ir para o inferno, caso não se reconcilie com o Altíssimo.
Para que um pecado seja mortal, é necessário cumprir três condições: ser um pecado grave, ser cometido com plena consciência do que está fazendo, e a de ter sido feito com consentimento deliberado.
Os pecados graves basicamente se encontram nos dez mandamentos, e Jesus os sintetizou em dois: amar ao próximo como a ti mesmo e amar Deus acima de todas as coisas. Pois desses dois dependem todos os dez mandamentos.
Mesmo nos pecados graves, há graus de maior intensidade, como por exemplo, homicídio é mais grave que um roubo. A pessoa que você lesou também conta, tipo roubar um familiar é mais grave que roubar um estranho.
Exemplos:
- blasfêmia, quebrar juramento (contra o amor com Deus)
- homicídio, adultério, (contra o amor do próximo)
Purgatório
Catecismo sobre:
/ §1472 “…O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama «pena eterna» do pecado. Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório…”
Se você desmontar os pecados veniais e mortais do catolicismo, você anula a existência de algo como purgatório, que é o que farei, não como objetivo primário mas como consequência secundária
Resumidamente, os pecados veniais são pecados mais leves, e os pecados mortais mais graves. Os pecados veniais não podem levar a sua alma para o inferno, somente para o purgatório, mas os pecados mortais vão necessariamente te conduzir para o inferno se você não se confessar. A existência de pecados veniais é absolutamente necessário para a existência do purgatório, algo que serve para purificar a alma de pessoas que não cometeram pecados que levam para a morte.
Protestantismo sobre os pecados
Mortais
Todos os pecados são mortais, ou seja, o simples ato de pecar, ir contra a pureza do Criador, já é algo que te conduz à morte eterna. Conforme está escrito em Romanos 6:23:
“²³ Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
O salário natural do pecado é a morte eterna, independente de qual tenha sido o pecado cometido. Isto por si só já elimina o conceito de pecados que não podem te levar à morte Eterna. O versículo continua dizendo que Deus nos dá um presente gratuito, isto é, viver eternamente com Cristo, revelando através de uma antítese, que por mais que o pecado seja mortal para nós, e por conta própria somos incapazes de alcançar a salvação, Deus é misericordioso o suficiente conosco, para permitir que possamos viver com Ele na eternidade.
-# Obs: não é utilizado no meio protestante o termo ‘pecado mortal’, tanto para não remeter ao catolicismo, quanto por ser conceitualmente redundante.
Pecados Perdoáveis
-# Todos os pecados com exceção de blasfemar contra o Espírito
Pecados Imperdoáveis
Blasfemar contra o Espírito é um pecado imperdoável, apresentando-se como única exceção aos pecados perdoáveis.
Mateus 12:31,32
“³¹ Por esse motivo eu lhes digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. ³² Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na era que há de vir.”
Blasfemar contra o Espírito Santo, basicamente compreende-se por uma rejeição deliberada e consciente da verdade em Cristo, basicamente atribuir ações do Espírito Santo à Satanás.
Condenação por Pecado
O que evita você de ir para o lago de fogo não é a gravidade do pecado mas sim a FÉ. O que determina se você vai para o céu/purgatório para a segunda morte:
Catolicismo: Os pecados que você cometeu, mortais não confessados levará para o inferno, veniais não purificados para o purgatório, e nenhum dos dois para o céu.
Protestantismo/Bíblia: Unicamente pela Fé em Jesus Cristo. SOLAFIDE. Efésios 2:8-9.
“⁸ Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; ⁹ não por obras, para que ninguém se glorie.”
Se a salvação fosse baseada em pecados:
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Todos iriam para a Segunda Morte, porque TODOS PECARAM (Rm 3:23) e por conta própria seríamos incapazes de buscar a Deus, pois todos nós estamos debaixo do pecado, conforme é dito em Romanos 3:10-12.
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Contradiria o próprio Efésios 2:8-9 que diz que não é por obras para que ninguém se vanglorie.
-# Quanto a Tiago, antes que alguém venha distorcer seus escritos, é importante ressaltar que as obras são uma consequência da fé, portanto, quem tem fé, naturalmente desenvolverá boas obras, mas elas por conta própria não salvam ninguém, e tem por requisito a própria fé para existirem.
1 João 5:16-17
“¹⁶ Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus lhe dará vida. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não estou dizendo que se deva orar por este.¹⁷ Toda injustiça é pecado, mas há pecado que não leva à morte.”
A primeira vista parece provar biblicamente a existência de pecados veniais e mortais católicos, certo?
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Diz que há pecados que leva a morte, entendido pelos católicos como mortais.
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Diz que há pecados que não leva a morte, que só podem ser os veniais, não é?
Explicação 1 João 5:16-17
Contexto: O contexto do versículo está falando da eficácia da oração. Se oramos ao senhor de acordo com a vontade dEle, sabemos que Deus nos ouve e que vamos conseguir o que pedimos.
Explicação: O versículo 16 e 17, apenas está dizendo para não orarmos por um pecado que já conduzirá a pessoa para a segunda morte, como o único exemplo de pecado imperdoável que temos que é o de blasfemar contra o Espírito Santo. Por isso o versículo fala para orarmos por pecados que que não são para morte, porque eles podem ser perdoados.
O versículo não poderia estar se referindo ao pecado mortal do catolicismo, porque mesmo eles são perdoáveis e o versículo diz justamente para não orar por pecados que leva a morte. Você pode orar ao Senhor por pecados de maior gravidade, que seriam mortais no catolicismo, mas se seguíssemos o versículo na ótica católica romana, justamente não oraríamos por pecados mortais . Um exemplo bíblico de que podemos orar por pecados graves, que o catolicismo o chamaria de mortais, é o rei Davi que após cometer adultério com Bate-Seba e ter enviado Urias para morrer em batalha, clamou ao Senhor por misericórdia, compondo o Salmos 51.
Dizer que há pecados que não leva à morte, não contradiria o fato de que todos os pecados são mortais no protestantismo?
Na realidade não, basta compreender que o pecado que leva à morte quer dizer. Refere-se ao pecado imperdoável como vimos, portanto, quem o comete inevitavelmente está fadado à Segunda Morte. Quem comete os pecados que não leva a morte não estão necessariamente fadados à morte porque Deus pode perdoá-los.
Então não tem ‘pecadinho’ ou ‘pecadão’? Não seria julgar todas as coisas de forma igual?
Há sim uma diferença entre pecados, uns mais graves e outros mais leves, mas esta diferença não é o suficiente para evitar a condenação à Segunda Morte, esta é a consequência natural do pecado como foi dito anteriormente.
A diferença de gravidade do pecado, refere-se à punição que ocorrerá em Apocalipse 20:12-13 em detrimento das obras. A consequência da Segunda Morte, é ocasionada por ser criatura pecadora, um ser impuro que viola o caráter de Deus e é mencionada em Apocalipse 20:14-15. A morte é necessária porque não há perdão sem derramamento de sangue (Hb 9:22). O único meio de não passar pela Segunda Morte, sendo pecador, é através do sacrifício de sangue de Jesus Cristo, que tomou sobre si os nossos pecados. O sangue do Cordeiro nos purifica de todo pecado (1 Jo 1:7-9), não havendo qualquer acusação a ser realizada contra os justos, porque fomos justificados, ou seja, declarados inocentes perante o Tribunal de Cristo, e um inocente não tem o que pagar ou ser julgado.
O problema do Desenvolvimento de Doutrina
Mas qual a justificativa para o Catolicismo atual se distanciar completamente da verdadeira concepção a cerca dos pecados?
Uns dirão “É por causa do Desenvolvimento de Doutrina”
Contudo eis uma falha: -# O desenvolvimento de doutrina aprofunda e explica o que já foi revelado. Não inventa algo novo e oposto ao que as Escrituras ensinam, porque isso deixaria de ser “apostólico”.
O Magistério de acordo com a ICAR, deveria possuir infalibilidade na interpretação das Escrituras, mas o que explica esse erro? Provavelmente você católico apenas dirá “Você que está interpretando incorretamente a bíblia”, mas eu expliquei o contexto, o versículo completamente, utilizei-me de referências cruzadas, e ainda apresentei pontos contradizentes com a doutrina Católica Romana presentes na Bíblia.
Há uma questão que bate na porta, hei de apresentá-la abaixo.
-# Se o magistério erra na interpretação histórica da Escritura, como distinguir desenvolvimento legítimo de doutrina de erro?
/ “840. _Cân. 30._ Se alguém disser que a todo pecador penitente, que recebeu a graça da justificação, é de tal modo perdoada a ofensa e desfeita e abolida a obrigação à pena eterna, que não lhe fica obrigação alguma de pena temporal a pagar, seja neste mundo ou no outro, no purgatório, antes que lhe possam ser abertas as portas para o reino dos céus — _seja excomungado_ [cfr. n° 807].”
Na Sessão VI do Concílio de Trento, sobre a doutrina da justificação, o Cânon 30 afirma que quem negar que resta alguma pena temporal a pagar no purgatório, mesmo após a graça da justificação, é considerado excomungado, ou seja, expulso da Igreja.
Portanto, vemos que a doutrina do purgatório, juntamente com pecados veniais e mortais é algo completamente divergente das Sagradas Escrituras, a tradição apostólica escrita, mas mesmo assim, se você provar para um católico, ele pode simplesmente dizer que isso não foi dito Ex Cathedra (como fazem por conveniência com tudo que você prova para eles), por mais que tenha sido reafirmado em um concílio romanista, e que se você não seguir você é expulso da igreja por algo que eles nem tem certeza se é verdade mesmo. Ilógico é você poder ser expulso de uma igreja por eles estarem seguindo doutrinas heréticas, pois contrariam explicitamente à revelação Escrita, não podendo ser sustentadas nem por desenvolvimento de doutrina.
-# Qual é a falseabilidade do Magistério Católico? Desse jeito nenhuma!