O porquê o Protestantismo é a vertente correta
Autor: Rasyon Heneyah
Este artigo visa demonstrar o porquê o protestantismo é a vertente correta do cristianismo, abordando temas como Sola Fide, Sola Scriptura, o que é a Igreja de fato, livre exame, e as divergências que existem no protestantismo. Basicamente, tratando de pontos principais levantados para tentar descredibilizar o protestantismo, revelando que na verdade o protestantismo é mais coerente com as Sagradas Escrituras, portanto, a mais próxima da tradição apostólica. Desejo uma boa leitura a todos vós.

Convergência com as Escrituras
O principal ponto apresentado para afirmar que o protestantismo é a vertente correta baseia-se no fato de que os protestantes seguem em essência o que nos foi transmitido pelos apóstolos.
Sola Scriptura
Nuda Scriptura vs. Sola Scriptura
Existem dois conceitos que são parecidos e muitas vezes são confundidos: Sola Scriptura e Nuda Scriptura. Explicar-se-á a seguir a diferença entre ambas.
A Nuda Scriptura é uma rejeição completa de qualquer tradição existente da Igreja, exceto pela Bíblia, é uma versão mais extremista que desconsidera completamente tradições extrabíblicas.
Já a Sola Scriptura não rejeita tradições externas à Bíblia, mas as subordina às Sagradas Escrituras, que é a única que possui autoridade absoluta sobre as demais tradições, invalidando as que contradizem a Palavra de Deus.
A Bíblia Contém o Suficiente Para a Salvação
Como é dito no Evangelho segundo João 20:30,31:
“Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome. “
O que foi registrado na Bíblia é o suficiente para que as pessoas acreditem no Messias, Jesus, e tenham vida em seu nome, demonstrando que não é necessário você se submeter à tradições extrabíblicas para ser salvo, pois o que está escrito já basta, tendo em vista que a fé vem do ouvir a palavra de Deus.
Tradições Posteriores Não Podem Contradizê-la, Pois a Bíblia é Autoridade Final
A Bíblia como autoridade final e absoluta tem primazia em relação a qualquer tradição, independente de quem supostamente a passou. Seguindo de acordo com Gálatas 1:8.
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.”
Então você não pode usar desenvolvimento de doutrina como justificativa, se a sua tradição contradiz a própria Bíblia. Para usar desenvolvimento de doutrina como justificativa, ela deveria simplificar ou esclarecer o que já foi revelado.
Neste aspecto, o protestantismo acerta em sistematizar doutrinas somente baseando-se nas Sagradas Escrituras, que são suficientes e autoritativas para o cristão.
Sola Fide
A Salvação Vem Pela Fé, Não Por Quaisquer Obras ou Sacramentos Praticados
Obras
-# A salvação vem exclusivamente da fé. As obras são a consequência da salvação, não um requisito dela. Alguém salvo naturalmente fará boas obras, não será salvo por ter feito boas obras, mas por ter fé em Cristo Jesus.
O texto áureo para a Sola Fide encontra-se na carta do apóstolo Paulo à igreja em Éfeso, capítulo 2, versículo 8 e 9.
“Pois pela graça vocês são salvos, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.”
A salvação vem exclusivamente da fé. As obras são a consequência da salvação, não um requisito dela. Alguém salvo naturalmente fará boas obras, não será salvo por ter feito boas obras, mas por já ter fé em Cristo Jesus, estará realizando boas obras.
Na carta à igreja em Roma, capítulo 3, versículo 27, também aborda esta questão.
“Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei.“
A justificação, isto é, ser declarado inocente de todos os seus pecados ocorre pela fé, não por obras, porque não conseguimos ficar sem pecar por causa de nossa natureza pecaminosa, e um pecado já é o suficiente para nos condenar, já que no simples ato de pecar já atacamos a pureza do Senhor, e não há perdão sem derramamento de sangue, qualquer pecado que seja, quando praticado tem a capacidade de te conduzir à morte eterna.
Justamente por isso, Jesus morreu na cruz por nós, ele aplacou, apaziguou a ira do Criador sobre nós, para que tenhamos livre acesso à vida eterna. Ele é a propiciação por nossos pecados e nos purifica de todo pecado. Claro também que alguém que tem fé genuína em Cristo não viverá como se não houvesse leis para serem seguidas, ditas pelo Altíssimo, porque ele tem a mentalidade de Cristo através do Espírito Santo.
-# ‘Metanoia’ é um termo do grego koiné, que se encontra na Bíblia que significa uma mudança de mente, cristãos genuínos passam por essa transformação interior contínua de mente que nos aproxima de Deus, e nos amadurece para reconhecermos que devemos lutar contra a carne para pecarmos cada vez menos.
Sacramentos
Os sacramentos não são requisitos para a salvação, mas os eleitos participam deles por sua importância para a Igreja de Cristo, cada sacramento tem seu símbolo e significado, participar deles fortalece a nossa fé.
O Batismo em águas é um símbolo externo para o batismo que ocorreu internamente na pessoa, o batismo espiritual em que a pessoa morreu para o mundo, e agora está vivendo para Cristo, abandonando o eu anterior à conversão, pois foi lavado do pecado, pelo Sangue do Cordeiro de Deus que nos purifica de todo pecado.
Já a Santa Ceia é um símbolo externo da unidade dos salvos em Cristo Jesus, através do partir do pão e do vinho, relembramos da morte e ressurreição do Senhor, do seu corpo que foi partido por nós, e de seu sangue que foi derramado pelo perdão de nossos pecados e pela nova aliança, a Aliança do Espírito, pela qual fomos justificados.
A Verdadeira Igreja de Cristo
Qual a definição de Igreja? Vamos olhar na própria Bíblia.
” Deus colocou todas as coisas debaixo dos pés dele [Cristo] e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas em tudo.”
Efésios 1:22-23
O corpo de Cristo é formado pelo conjunto de salvos em Cristo, de acordo com 1 Coríntios 12:27.
“Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.”
Todos que possuem fé genuína em Cristo Jesus fazem parte deste corpo, que abrange todos os fiéis no Messias pelo mundo. Portanto nós somos a Igreja de Cristo, o seu Corpo, nós não vamos à igreja, nos reunimos como Igreja.
-# Nota: É sempre importante ressaltar, quando falamos que somos Igreja, também é nosso dever como parte do Corpo de Cristo congregar com nossos irmãos, seja em uma igreja, casa, ou o que for.
Quando falamos que o protestantismo está certo, não falamos que especificamente alguma denominação do protestantismo esteja 100% correta, ou que todas estejam 100% corretas, mas sim que o esqueleto do protestantismo, isto é, sua essência comum à todas as denominações protestantes, encontram-se corretas, abordarei esta unidade protestante mais à frente.
-# Mas talvez você pergunte, isso não significa que todas estão certas? Ou melhor, como pode haver tantas divergências entre as denominações protestantes, se todas elas partiram da mesma essência? Essas perguntas serão melhor respondidas nos próximos tópicos, quando eu abordar livre exame e as divergências, que talvez para sua surpresa, não existem somente no protestantismo.
Então quando um protestante, como por exemplo, um presbiteriano, diz que a sua igreja (entende-se por denominação), é a correta, não quer dizer que Jesus, os apóstolos, ou os pais da igreja arrogavam para si o título de presbiteriano, ou que Jesus tenha fundado a denominação presbiteriana, ora vimos que a igreja de Cristo não é meramente uma denominação mas o conjunto de fiéis em Cristo Jesus, não uma denominação em específico. O presbiteriano quer dizer, que a sua denominação possui maior proximidade, compatibilidade com os valores e doutrinas cristãs apresentados, pelas Sagradas Escrituras, que como vimos anteriormente, o que está contido nela é suficiente para que alguém seja salvo, e a primazia dela em detrimento das demais tradições, uma vez que esta é a Palavra de Deus, e nenhum desenvolvimento de doutrina pode contradizê-la.
Livre Exame
Livre Interpretação Vs. Livre Exame
Na interpretação das Sagradas Escrituras, também há outros dois conceitos que semelhante ao Sola Scriptura é bem confundido, principalmente pelos nossos opositores: Livre Interpretação e Livre Exame.
Livre interpretação resumidamente é o conceito de que cada um pode e deve interpretar a Bíblia de forma subjetiva, conforme o que Espírito Santo lhe iluminar individualmente. É o ‘cada um interpreta por si’.
De acordo com o Livre Exame, é dever de todo Cristão ler e examinar a Bíblia, verificando por si mesmo se as doutrinas e pregações são coerentes com as Sagradas Escrituras, combatendo possíveis adulterações da bíblia.
2 Timóteo 3:15
*Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. *
Vemos que Timóteo quando criança, já tinha estudado as Sagradas Escrituras. A Bíblia é dita como capaz de tornar alguém sábio para a salvação mediante a fé em Jesus Cristo. Ele não fazia parte de nenhum clero e ainda assim se dedicava à examinação das Escrituras, que contribuiu bastante para ele entender o Evangelho e ter fé em Jesus Cristo. Em contrapartida, a Igreja Católica Romana em diversos períodos da história, proibiu as pessoas leigas, isto é, não participantes do clero, de terem acesso às Sagradas Escrituras e de lê-las.
A Responsabilidade Individual
Livre exame não se trata de uma interpretação subjetiva, mas sim da examinação livremente das Escrituras Sagradas, para conferir se o ensino está correto como vimos. Isto consequentemente abre possibilidade para pessoas defenderem doutrinas que podem estar corretas ou não, refletindo na responsabilidade individual e na liberdade humana.
Esta responsabilidade individual, reflete uma não terceirização da fé, você não é um ser que deve apenas ouvir o clero e seguir porque é o clero que diz, mas você precisa ter senso crítico, a capacidade de pensar por conta própria e compreender o que a Palavra de Deus tem a nos ensinar, e nada melhor do que você mesmo pegá-la para ler e aprender com o direcionamento do Espírito Santo. Vale ressaltar, que é imprescindível você orar ao Senhor pedindo discernimento antes de ler a bíblia.
-# O livre exame não é um convite à rebeldia, mas ao amadurecimento da fé, fé esta consciente, bem fundamentada e pessoal diante de Deus.
Como Examinar a Bíblia? / A razão do Livre Exame ser correto
Você pode dizer, e qual a diferença, como por exemplo, da interpretação católica romana para a protestante, uma vez que ambas estudam quase o mesmo livro. A diferença consiste, em que nós protestantes, partimos das premissas, não das conclusões. Um católico romano parte das doutrinas já ensinadas pelo magistério e busca achar algum versículo para tentar sustentar seu argumento, apoiando-se primariamente no próprio magistério ao invés de se apoiar primeiro nas Sagradas Escrituras e então o magistério ensinar tal doutrina. Já nós protestantes, colocamos as Sagradas Escrituras acima de tradições extrabíblicas, ou seja, estas tradições podem ser úteis, e muitas vezes facilitar a compreensão da Bíblia, mas não é infalível e está suscetível à erros, e quando este for o caso, ficamos com as Escrituras mesmo. Portanto, eu trouxe 4 pontos importantes sobre o livre exame, de como analisar as Sagradas Escrituras.
1º) A Bíblia interpreta a própria Bíblia Em síntese, devemos utilizar as passagens mais claras contidas na bíblia para compreender as passagens mais obscuras. Um bom exemplo desta utilização, é através das referências cruzadas. Referências Cruzadas, basicamente são versículos que estão situados em lugares diferentes, mas que falam sobre o mesmo assunto, como por exemplo, tomando 1 Tessalonicenses 4:13-5:16 que falam da vinda do Senhor com o capítulo 24 de Mateus que também aborda o arrebatamento do Senhor.
2º) O Espírito Santo é o Intérprete Interior Nós somos completamente dependentes do Espírito Santo para compreender o que foi revelado nas Sagradas Escrituras, não é algo que exige somente do intelecto, mas requer a atuação do Espírito Santo em um salvo regenerado.
3º) A interpretação deve ser comunitária, mas submissa à Palavra Antes de nascermos, muitas outras pessoas vieram ao mundo, e da mesma forma que estudamos atualmente, muitos estudaram a bíblia e deixaram seus escritos sobre seus estudos, assim como há irmãos em Cristo que sabem mais do que nós em determinados assuntos. Estes devem ser valorizados, mas de maneira alguma podem sobrepujar às Sagradas Escrituras, pois jamais teriam a mesma autoridade ou infalibilidade que a Bíblia.
4º) Contexto e Gramática são importantes Para compreender a Bíblia efetivamente, apenas ler a tradução na língua vernácula não basta, afinal há alguns sentidos que só podem ser compreendidos se analisados no idioma original a qual foi escrito, Antigo Testamento escrito em hebraico e aramaico, e o Novo Testamento escrito em Grego Koiné. É necessário fazer um estudo exegético sério, levando em consideração o contexto histórico, linguístico e o literário. Não fazendo alegorias excessivas atribuindo significados espirituais ocultos que claramente não se encontram no que foi escritos.
As Divergências
Divergências Além do Protestantismo
Algo não muito falado é o fato de que tanto na época dos pais da Igreja, quanto na igreja católica romana e na igreja católica ortodoxa, haviam e há discordâncias entre os membros, inclusive algumas do mesmo nível que há no protestantismo, que será abordado neste tópico.
Pais da Igreja
Amilenismo / Pré-Milenismo
Há pais da Igreja que defendiam Pré-Milenismo, como houve quem defendesse amilenismo também. Mais precisamente, Justino Mártir, no século II defendia Pré-Milenismo e Orígenes de Alexandria, no século III defendia o amilenismo.
Posição de Justino Mártir - Pré-Milenismo | Século II
O Justino mártir, já defendia em pleno século II (século segundo) a existência de um milênio físico de 1000 anos após a volta de Cristo, demonstrando que o pré-milenarismo era uma crença comum de sua época, era a majoritária. Resumidamente pré-milenarismo é a crença de que haverá um milênio físico de 1000 anos conforme dito em Apocalipse 20:6, mas que Jesus virá buscar a sua Igreja antes desse milênio, pessoalmente é a que eu acredito, e é defendida por Justino nos capítulos 80 e 81 de seu Diálogo com Trifão.
Posição de Orígenes de Alexandria - Amilenismo | Século III
Já Orígenes defendia algo mais próximo do amilenismo. Ele acreditava que a ressurreição era espiritual e em momentos como quando Jesus disse para cear com os irmãos até a volta de Cristo, não era porquê cearíamos com Jesus fisicamente, mas sim que tinha algum significado espiritual, dá mesma forma que o milênio não era literal mas possuía um significado espiritual, assim como não acreditava que a Nova Jerusalém era uma cidade física feita com pedras preciosas, conforme consta em De Principiis, II.11.2. (De Principiis, II.11.2 = Livro 2, Capítulo 11, Seção 2.)
Imortalidade da Alma / Mortalidade da Alma
Outro tema que havia certa discordância era sobre a alma, se era imortal ou não. O mesmo Justino do século II apresentado anteriormente, defendia uma concepção mortalista, enquanto Eusébio de Cesaréia nos séculos III a IV defendia o imortalismo.
Posição de Justino Mártir - Mortalismo | Século II
No mesmo escrito de Justino que acabei de mencionar anteriormente, ele defende mortalismo em seu Diálogo com Trifão, nos capítulos 80 e 81, dizendo basicamente “Aos que negam a ressurreição, e acreditam que após a alma morrer, esta é levada para o céu, não imagine que eles são Cristãos”.
Justino vai diretamente contra a ideia de que após a morte da alma esta vai diretamente para o céu, mas sim defende a ressurreição, que o imortalismo não a nega de fato, mas assim como Justino eu concordo que o imortalismo a ofusca, mas isso é tema a ser abordado em outro momento.
Justino não foi contra a ideia da alma morrer, mas sim sobre a concepção do que acontece com essa alma depois de morrer .
Posição de Eusébio de Cesareia - Imortalismo | Século III à IV
Na História Eclesiástica Livro 6, capítulo 37, Eusébio de Cesareia diz que surgiu na Arábia uma falsa doutrina de que a alma morria junto com o corpo mas que reviverá junto com o corpo na ressurreição. Curioso que Orígenes, o mesmo que defendeu Amilenismo que acabamos de ver anteriormente é diretamente citado, como discursando sobre o tema para convencer os demais que a mortalidade da alma era uma doutrina falsa.
Igreja Católica Romana
É recorrente, católicos romanos arrogarem para si o título de igreja una, e acusar o protestantismo de divisão, principalmente quando falam de calvinistas e arminianos, mas na verdade ela também tem muitas divisões, inclusive no aspecto soteriológico como o citado antes, vou falar algumas dessas divisões de católicos romanos aqui. Há no catolicismo: Tomismo, Molinismo, Agostinianismo, Catolicismo Tradicionalista (FSSPX [Fraternidade Sacerdotal São Pio X], Sedevacantistas, Integristas), Renovação Carismática Católica (RCC), Caminho Neocatecumenal, Preterismo, Futurismo, Historicismo. Isso demonstra que as diversidades internas são normais dentro de qualquer corpo religioso que tem uma essência doutrinária. Apesar da variedade ainda sim há uma unidade, no protestantismo há uma essência, uma unidade doutrinária, que demonstrarei a seguir, o que invalida essa argumentação de que por haver muitas denominações o Protestantismo está errado.
Um outro bom exemplo e recente é o título dado à Maria de corredentora, que muitos católicos romanos utilizavam, achando que estavam corretos, inclusive padres que teoricamente são mui bem estudados, mas o vaticano emitiu uma nota doutrinal que Jesus Cristo era o único salvador, e que este título é considerado inapropriado.
Igreja Católica Ortodoxa
Mesmo na Igreja Ortodoxa há divergências internas, e vou citar uma delas, envolvendo a cisão entre o Patriarcado de Moscou e o de Constantinopla. Em 2018, o patriarca Bartolomeu de Constantinopla reconheceu a Igreja Ortodoxa da Ucrânia como independente da Rússia, o que levou Moscou a romper comunhão com ele por considerar a decisão uma invasão de seu território espiritual. Essa ruptura não ocorreu por diferenças doutrinárias, mas por disputa de autoridade e influência, refletindo também o conflito político entre Rússia e Ucrânia. Basicamente eles tiveram uma discussão ao ponto de não poderem participar junto da Eucarístia, Santa Ceia do Senhor juntos por conta de discussões políticas, passando a não reconhecerem os sacramentos da outra igreja.
Unidade Protestante
Como foi dito anteriormente, no protestantismo há uma unidade em sua essência, esta que será demonstrada agora, através de uma confissão de fé comum à todos os protestantes. Qualquer denominação protestante (exclui-se seitas, pois não são protestantes) segue estes 30 pontos comum à todos os protestantes.
Há abaixo princípios fundamentais compartilhados entre todos os protestantes.
Confissão de Fé Comum à Todos Protestantes
1) Cremos que o Pai é Deus, que Jesus é Deus e que o Espírito Santo é Deus, o que significa que Deus é uma trindade.
2) Cremos que Deus é onisciente, presciente, onipotente, onipresente, onibenevolente, eterno, atemporal e autoexistente, e é o único Ser que detém todos esses atributos.
3) Cremos que Deus é o único a quem devemos orar e o único que atende as nossas orações.
4) Cremos que Deus é o único que pode ser invocado no céu e que toda a nossa devoção deve ser a Ele.
5) Cremos que Deus é o único digno de toda a glória, de todo o louvor e de toda a nossa adoração.
6) Cremos que Deus é o único que pode ser cultuado em absoluto, e não em determinadas formas de culto que podem ser dirigidas a outro que não a Deus.
7) Cremos em um culto livre de imagens de escultura para fins de adoração e/ou veneração, e que não devemos nos prostrar diante de qualquer imagem.
8) Cremos que a Sagrada Escritura é a Palavra de Deus, por Ele inspirada e composta por 39 livros do Antigo Testamento e 27 livros do Novo Testamento historicamente confiáveis e suficientes para a nossa salvação.
9) Cremos que a Sagrada Escritura é a autoridade máxima para o cristão, a instância superior e final que se impõe acima de qualquer tradição, magistério, denominação, concílio, confissão de fé ou lideranças religiosas.
10) Cremos que a leitura da Sagrada Escritura é para todos os fiéis, que sua tradução na língua do povo deve ser estimulada e que pode ser livremente examinada pelos fiéis, em detrimento de um monopólio eclesiástico de alguma instituição.
11) Cremos que Jesus veio em carne e se tornou humano como nós, porém sem pecado.
12) Cremos que Jesus é a única pessoa que passou a vida toda sem contrair qualquer mancha de pecado.
13) Cremos que Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia para a nossa justificação.
14) Cremos que Jesus se sacrificou na cruz de uma vez por todas, e não que é sacrificado novamente todos os dias.
15) Cremos que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens pela obra de redenção e reconciliação que realizou na cruz.
16) Cremos que Jesus Cristo é o único Senhor e salvador.
17) Cremos que somos salvos pela graça de Deus, através da fé em Cristo.
18) Cremos na necessidade das boas obras como uma consequência da salvação pela fé, e não como a causa da salvação.
19) Cremos que a salvação é definida com base no que fizemos apenas nesta vida, sem segundas chances de salvação após a morte (seja através de reencarnação, purgatório ou afins).
20) Cremos que os pecados podem e devem ser confessados diretamente a Deus, que é quem nos perdoa se estivermos sinceramente arrependidos, e que também podemos confessar nossos pecados uns aos outros (especialmente se pecamos contra eles), e não na obrigação de uma confissão particular ao sacerdote ou que o perdão dependa dessa confissão particular.
21) Cremos que é contra o desejo do Espírito Santo que hereges sejam queimados, pois Jesus ordenou amar a todos, mesmo os nossos inimigos.
22) Cremos na existência de anjos e demônios no mundo espiritual.
23) Cremos que o batismo e a Ceia do Senhor continuam vigentes até os dias de hoje.
24) Cremos que a Igreja consiste no corpo de Cristo, a reunião de todos os salvos em Cristo onde quer que estejam.
25) Cremos no sacerdócio universal de todos os crentes, isto é, que todos os crentes em Cristo Jesus são sacerdotes espirituais e têm livre acesso a Deus mediante o sangue de seu Filho.
26) Cremos que Jesus Cristo é o único Cabeça da Igreja, não um papa ou uma autoridade terrena pretensamente infalível.
28) Cremos na ressurreição da carne.
29) Cremos que Jesus voltará visivelmente.
30) Cremos no juízo final, quando Deus julgará tanto os justos quanto os ímpios; os justos para receberem galardão para a vida eterna, e os ímpios para serem condenados.
Obs: Esta confissão de fé comum à todos os protestantes em especial foi retirada do artigo “Uma Confissão de Fé comum a todos os protestantes” do autor Lucas Banzoli. Inclusive recomendo a leitura deste artigo dele para vós, e deixo os créditos dele também.