Páscoa 2026: Origem, o porquê Jesus morreu e Isaías 53
Autor Rasyon Heneyah
Na páscoa ouvimos bastante as pessoas falarem sobre coelhos, ovos de chocolates e muitas guloseimas. Porém, o verdadeiro significado da páscoa está bem longe disto. Neste artigo trataremos do que é a páscoa que é a celebração da morte e ressurreição de Cristo Jesus, de como se originou a páscoa biblicamente, no porquê Jesus precisou morrer na cruz por expiação de nossos pecados e sobre Jesus, o Servo Sofredor em Isaías 53.

A Origem da Páscoa no Antigo Testamento
A Páscoa é uma festa religiosa originada no Egito instituída por Deus, quando o Faraó não deixou os israelitas saírem daquela terra mesmo após nove pragas. Então o Senhor anunciou através de Moisés a décima praga: a morte de todos os primogênitos egípcios, cuja casa não obedeceu às ordenanças do altíssimo, especialmente a de colocar o sangue do cordeiro nos umbrais.
-# A Páscoa é um tipo da expiação de Cristo Jesus por nós, portanto esta comemoração da libertação do Egito possui muitas sombras que apontam para Jesus.
O termo Páscoa, em hebraico Pessach, significa “passar por cima”, podendo ser traduzida também como “passagem”, remetendo diretamente ao destruidor dos primogênitos que passou por cima da casa dos hebreus poupando seus primogênitos, e à saída dos israelitas da escravidão no Egito e à sua passagem para a liberdade. Assim como em Cristo nos libertamos da escravidão do pecado que há no mundo, preparando-nos para nossa passagem para a Nova Terra, onde viveremos a eternidade com Cristo.
-# A páscoa é também um tipo de Santa Ceia, prefigurando a Eucaristia instituída por Jesus na Última Ceia.
Um cordeiro macho e sem mácula era sacrificado, prefigurando Jesus, o Cordeiro de Deus que purifica o pecado do mundo, nele não há pecado algum, assim como o cordeiro que não tem mácula. Eram comidos pães asmos (sem fermento), ervas amargas e o cordeiro assado. Os pães sem fermento representavam uma vida de sinceridade e verdade sem o fermento (malícia), que é nosso dever como cristãos. As ervas amargas relembravam a amargura da servidão no Egito, representando a amargura produzida pela servidão do pecado e o sofrimento que Cristo assume por nós ao tomar sobre si a nossa condenação na cruz. O cordeiro foi comido assado, passando assim pelo fogo, que representa juízo, sendo Jesus ferido por nossas transgressões, moído por nossas iniquidades. Nenhum dos ossos do cordeiro pascal deveria ser quebrado, na crucificação, diferentemente dos outros crucificados, Jesus não teve seus ossos quebrados, atitude realizada para acelerar a morte, simbolizando a perfeição do sacrifício de Cristo, assegurando que seu corpo permaneceria completo, cumprindo assim mais uma profecia.
O Egito representa o mundo mal em que estamos inseridos. Já os israelitas representam os salvos em Cristo. As casas podem ser compreendidas como as pessoas, sejam salvos ou ímpios, pois aquele que tivesse o sangue do cordeiro passado nos umbrais e na verga da porta seria salvo, representando o sangue do cordeiro que é passado em nossas almas, purificando-nos de todo pecado. Nada do cordeiro era deixado até a manhã, pois eles queimavam o que sobrava, isto demonstra que o sacrifício de Cristo é completo, não reaproveitável, e nem repetível. Os israelitas comiam com pressa, já preparados para partir, revelando a prontidão necessária para sair deste mundo, não sendo pegos de surpresa.
O cordeiro foi morto no dia 14 de Nisã (entre março e abril) na libertação do Egito prefigurando a morte de Jesus Cristo que também ocorreu no dia 14 de Nisã, na preparação para a páscoa. Vimos que a páscoa prefigurou a morte de Cristo na cruz por nós. Contudo, se lhe fosse perguntado:
-# Por que foi necessário que Jesus morresse por nós? o que você responderia? Ora, não poderia o Todo-Poderoso perdoar pecados sem a morte de Cristo?
Você teria a resposta na ponta da língua? Se sim, continue preparado e leia a próxima parte que é sobre isso, se não leia também.
Por que Jesus teve que morrer na cruz?
Para responder esta pergunta, faz-se necessário elucidar aos leitores sobre o mal e sua origem, a fim de aprofundar o tema. O mal não existe substancialmente, isto é, o mal não é uma entidade independente, mas sim uma ausência ou privação de algum bem. Deus fez a criação boa, porém ela se corrompeu. O primeiro, Satanás, que orgulhosamente queria se colocar acima de todos, desejando ser como o Altíssimo, aspirando um bem que lhe era indevido. Depois, a queda da humanidade, quando Adão e Eva desobedeceram à ordem de Deus, comendo do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ambos resultaram em uma expulsão, Satanás e seus anjos expulsos do céu, e a humanidade expulsa do Jardim do Éden.
Todos pecaram, e destituídos ficaram em Adão. Então caímos juntos com Adão e passamos a pecar. Cada pecado é uma violação grave do caráter omnibenevolente de Deus. Morremos espiritualmente em Adão e também perdemos o acesso à Árvore da Vida, então nossa vida se tornou efêmera. Mas Deus é Deus de vivos, não de mortos, por isso há a ressurreição, em que teremos corpo glorificado e contato diretamente com Deus. A Antiga Aliança serviu para condenação da humanidade, a lei nos mostra o que é pecado. Já a Nova Aliança, mais gloriosa, serve para a redenção da humanidade, através da salvação de graça mediante a fé.
Nossa natureza pecaminosa corrompida evoca a justiça de Deus. Ora, se não julgasse os desvios do alvo que é a perfeição, Deus estaria sendo injusto pela omissão, negando a si mesmo. A consequência do pecado é a morte, portanto o nosso destino deveria ser a morte eterna. Contudo, o Senhor já havia traçado o plano de redenção para a humanidade, já demonstrando sombras do que haveria de ver no Antigo Testamento, através dos sacrifícios de animais pelo pecado dos israelitas. Os animais sacrificados não removiam os pecados deles, mas serviam como uma expiação cerimonial, uma cobertura temporária, precediam o sacrifício perfeito, único e eterno de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que purifica o pecado do mundo.
O único capaz de trazer redenção à humanidade, a vida eterna é Jesus, o filho de Deus, o Verbo Encarnado. A Bíblia é clara: não há perdão sem derramamento de sangue. Isto porque a vida da carne está no sangue. O sangue representa própria essência da vida. Além de que nós não somos capazes nem de salvar a nós mesmos, quem diria de salvar alguém. Algo manchado pelo pecado não poderia servir para purificar o pecado de ninguém, nem um ser que não seja Deus, pois Ele é o Autor da Vida, aquele que sustenta o ser. Somente o Autor da Vida poderia servir de sacrifício vicário para a humanidade, isto é, tomar sobre si a consequência dos nossos pecados, servindo como um substituto de nós. Se o substituto não fosse Deus, sua ação seria limitada, não teria valor universal para alcançar todos os salvos.
Vimos sobre a Páscoa e sobre o porquê Jesus morreu na cruz para expiar nossos pecados. Mas a páscoa não é a única tipologia para Jesus Cristo, existem inúmeras outras, e uma muito relevante é Isaías 53 sobre o Servo Sofredor que será tratada agora.
Isaías 53 - O servo Sofredor
O capítulo 53 do livro de Isaías trata-se de uma profecia sobre Jesus, utilizando a figura do Servo Sofredor para Cristo, que foi moído por nossas transgressões. O Servo Sofredor em Isaías 53 é recorrentemente dito por judeus como sendo propriamente Israel, pois não reconhecem Jesus como Messias, mas o texto refere-se especialmente ao Filho de Deus. Há algumas razões para se afirmar tal, como ele ter sido ferido por nossas transgressões, servindo como expiação dos nossos pecados, coisa que Israel era incapaz, por razões já previamente destacadas. O Servo Sofredor também é separado como o mais rejeitado entre os homens, desprezado, e que os homens escondiam o rosto dele. Há uma separação bem clara entre Jesus como Servo Sofredor e Israel no livro de Isaías, como podemos ver em Isaías 49:5, o servo formado no ventre restauraria Israel, não podendo ser Israel restaurando a si mesmo, mas um ser em específico, Jesus Cristo.
Um caso curioso é que muitos verbos se encontram no passado como “Era desprezado… ele tomou sobre si… ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca…”
Isto não é mero acaso, pois se caracteriza como passado profético, que é comumente visto nas Sagradas Escrituras, enfatizando a certeza absoluta do cumprimento de alguma profecia, contemplada também em Isaías 9:6 “Porque um menino nos nasceu…”, que também se refere a Jesus Cristo. O sacrifício vicário já havia sido determinado desde a fundação do mundo.
De quem é a culpa de Jesus Cristo morrer na cruz?
Há quem diga que a culpa é dos judeus, ou dos romanos, ou mesmo do Sinédrio que articulou a condenação de Jesus. Mas os principais culpados somos nós. É claro que isto não isenta a participação e parcela de culpa deles, mas Cristo foi levado para o matadouro como ovelha muda perante seus tosquiadores por uma razão que é continuamente destacada em Isaías 53, foi por nossas iniquidades, para que possamos ser salvos. Se Jesus quisesse, poderia simplesmente descer da cruz e já julgar todos ali. Mas não era o propósito de Deus, que misericordiosamente retarda sua ira para que não sejamos exterminados.
“Ele não tinha beleza nem formosura, não havia boa aparência nele para que desejássemos”, esta parte no versículo obviamente não se trata da aparência física de Cristo como alguns tentam o colocar, no sentido de afirmar que o Servo Sofredor fosse feio. Significa que Jesus não se apresentou como a pessoa que queríamos, mas como a pessoa que precisamos. Mesmo diante de muitos milagres realizados por Jesus, muitos judeus não criam no Senhor por conta da incredulidade. Jesus não se apresentou como um chefe político e militar, e ao contrário de reis que montavam em cavalos imponentes de guerra, o Messias escolheu montar num jumentinho (cumprindo a profecia de Zacarias), pois o seu reino não é deste mundo. Eles só conseguiam enxergar a vida terrena que é efêmera, mas não a vida eterna em Cristo.
Quando Jesus se tornou maldição por nós na cruz, seu aspecto estava mais desfigurado do que de qualquer outro. Quem visse pensaria que não haveria beleza nem formosura, porém pensando incorretamente, pois foi exatamente no episódio da cruz que Jesus venceu a morte e nos salvou, sendo moído pelo Senhor; bebendo o cálice da ira de Deus.
Portanto, através de Isaías, no capítulo 53, cerca de 700 anos antes de Jesus, Deus profetizou sobre a vinda do Servo Sofredor. Aquele que foi moído e ferido por nossos pecados, tomando-os sobre si para sermos salvos. Embora Satanás pudesse achar que estivesse triunfando sobre Cristo na cruz, a cruz não foi o fim. O madeiro em que Jesus estava, vazio está agora, porque Ele triunfou sobre a morte e o pecado. Jesus ressuscitou dos mortos ao terceiro dia e está à destra do Pai.